
SBTi: o novo Corporate Net-Zero Standard V2
A SBTi atualizou o padrão Net-Zero. Empresas com metas validadas precisam reavaliar até 2027. Resumo das mudanças, impactos práticos e roteiro de revalidação.
Por que veio a V2
A versão 1.0 do Corporate Net-Zero Standard, publicada em outubro de 2021, foi criticada por permitir uso ilimitado de créditos de carbono em algumas categorias de meta e por não diferenciar suficientemente setores hard-to-abate. A V2 endereça essas críticas com regras mais estritas, trajetórias setoriais detalhadas e maior cobertura de Escopo 3.
A revisão também incorporou aprendizados de cinco anos de validação: alguns critérios da V1 se mostraram impraticáveis na operação real, outros mostraram lacunas que permitiam metas pouco ambiciosas com selo SBTi.

Principais mudanças
Metas de Escopo 3 obrigatórias
Antes era obrigatório quando Escopo 3 representava ≥ 67% das emissões totais. Agora o limiar caiu para ≥ 40%. Na prática, isso significa que muito mais empresas estão obrigadas a fixar meta de Escopo 3, com cobertura por categoria material.
Limite de neutralização
Máximo 10% das emissões residuais podem ser neutralizadas via créditos. E apenas com remoção (ARR, biochar, DAC, BECCS), não evitamento. REDD+ não conta mais para o residual de net-zero.
Trajetórias setoriais
Caminhos específicos para cimento, aço, alumínio, química, aviação. Empresas desses setores não usam mais a trajetória genérica de 1.5°C; precisam alinhar ao caminho do setor, calibrado pelas restrições tecnológicas reais.
Reavaliação obrigatória a cada 5 anos
Metas validadas precisam ser revalidadas a cada 5 anos, mesmo se o desempenho estiver dentro do esperado. Isso evita que metas se tornem desatualizadas conforme a ciência evolui.
BVCM encorajado
A V2 introduz formalmente o conceito de Beyond Value Chain Mitigation — investimento climático além das emissões da empresa, complementar à descarbonização interna. REDD+ pode entrar aqui, com narrativa diferenciada de neutralização.

Quem precisa agir
| Empresa | Ação |
|---|---|
| Com metas validadas até 2025 (V1) | Revalidar até dezembro/2027 |
| Submetendo nova meta agora | Já submete direto na V2 |
| Em jornada SBTi mas ainda não submeteu | Modela direto contra critérios V2 |
| Setor hard-to-abate | Aplica trajetória setorial específica |
| Escopo 3 entre 40% e 67% | Agora obrigatória meta de Escopo 3 |
Roteiro operacional de revalidação
- Diagnóstico de gap (1 mês): avaliar meta atual contra critérios V2; identificar lacunas em Escopo 3, neutralização e trajetória setorial.
- Refinamento de baseline (2 meses): garantir inventário base verificado; revisar fronteira organizacional.
- Modelagem de trajetória (1-2 meses): aplicar metodologia setorial onde se aplica; calcular curva de redução.
- Plano de transição (1 mês): documentar capex, governança, marcos intermediários.
- Redação do compromisso (2 semanas): formato exigido pela SBTi.
- Submissão e validação (6-12 meses): fila SBTi.
- Comunicação pública: alinhar com relatório anual, CDP, IFRS S2, ESRS E1.
Como a Mangue ajuda
Apoiamos toda a jornada SBTi: definição de baseline, modelagem de trajetória (incluindo trajetórias setoriais), redação do compromisso, submissão e revalidação. Já entregamos +25 metas validadas com primeira aprovação sem ressalva.
Para empresas hard-to-abate, oferecemos análise de viabilidade tecnológica e trajetória ajustada às restrições reais do setor — não fórmula genérica.
- Avalie agora o material para Escopo 3 — se passar de 40%, meta é obrigatória sob V2.
- Adicione remoção (ARR, biochar) ao portfólio mesmo que hoje use só evitamento (REDD+) — V2 exige remoção para residual de net-zero.
- Empresas hard-to-abate (cimento, aço, química) precisam alinhar trajetória ao caminho setorial específico, não ao genérico de 1.5°C.
- Reavaliação obrigatória a cada 5 anos: planeje processo recorrente, não evento único.
- Prepare narrativa de revalidação com antecedência — fila de validação SBTi tem espera de 6-12 meses em 2026.
Perguntas frequentes
Minha meta validada na V1 ainda vale?+
Continua válida operacionalmente, mas precisa ser revalidada sob V2 até dezembro de 2027. Empresas que não revalidarem perdem o status 'Targets validated' no website do SBTi.
O que muda na metodologia de Escopo 3?+
Antes era obrigatório quando Escopo 3 representava ≥ 67% das emissões totais. Agora o limiar caiu para ≥ 40%. Mais empresas obrigadas, escopo de meta tipicamente maior, exigência de granularidade por categoria.
Posso usar REDD+ para o residual de net-zero?+
Não. V2 exige remoção (ARR, biochar, DAC, BECCS). REDD+ é evitamento — pode ser usado em BVCM (Beyond Value Chain Mitigation) mas não conta para o residual de net-zero.
O que é BVCM?+
Beyond Value Chain Mitigation. Investimento climático além das emissões da empresa, sem alegação de neutralização. Encorajado pela SBTi V2 como complemento à descarbonização interna. Permite uso de créditos de evitamento (REDD+) com narrativa robusta.
Qual o custo de validar uma meta SBTi?+
Taxa de validação SBTi varia entre USD 4.950 e USD 14.500 por validação (2026), conforme tamanho da empresa. Custo principal é trabalho interno + consultoria — geralmente USD 30k-150k para empresa média no primeiro ciclo.
- SBTi
- Science Based Targets initiative. Iniciativa global (CDP + UN Global Compact + WRI + WWF) que valida metas corporativas de redução de emissões alinhadas com a ciência climática.
- Corporate Net-Zero Standard
- Padrão da SBTi para metas net-zero corporativas. V1 publicada em outubro/2021, V2 em 2024.
- Trajetória 1.5°C
- Caminho de redução de emissões necessário para limitar aquecimento global a 1.5°C. Tipicamente exige redução absoluta de 4.2% ao ano para Escopos 1+2.
- Hard-to-abate
- Setores onde descarbonização é tecnicamente difícil: cimento, aço, alumínio, química, aviação, navegação de longo curso.
- BVCM
- Beyond Value Chain Mitigation. Investimento climático além das emissões da empresa, sem alegação de neutralização.
- Trajetória setorial
- Caminho de descarbonização específico para um setor, calibrado pelas restrições tecnológicas e de mercado dele.
- Net-zero
- Redução de mais de 90% das emissões absolutas até a data-alvo + neutralização do residual com remoções.
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