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Trajetória descendente formada por papel ondulado representando a curva de redução de emissões alinhada à SBTi.
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Mercado de Carbono 15 min de leitura28 de fevereiro de 2026

SBTi: o novo Corporate Net-Zero Standard V2

A SBTi atualizou o padrão Net-Zero. Empresas com metas validadas precisam reavaliar até 2027. Resumo das mudanças, impactos práticos e roteiro de revalidação.

Alexandre Kelemen
Alexandre Kelemen
Cofundador & COO · Mangue
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Por que veio a V2

A versão 1.0 do Corporate Net-Zero Standard, publicada em outubro de 2021, foi criticada por permitir uso ilimitado de créditos de carbono em algumas categorias de meta e por não diferenciar suficientemente setores hard-to-abate. A V2 endereça essas críticas com regras mais estritas, trajetórias setoriais detalhadas e maior cobertura de Escopo 3.

A revisão também incorporou aprendizados de cinco anos de validação: alguns critérios da V1 se mostraram impraticáveis na operação real, outros mostraram lacunas que permitiam metas pouco ambiciosas com selo SBTi.

Trilha de montanha sinuosa subindo pela Mata Atlântica ao amanhecer, com neblina suave no vale.
Net-zero não é destino: é trilha íngreme, com pontos de checagem a cada 5 anos.

Principais mudanças

Metas de Escopo 3 obrigatórias

Antes era obrigatório quando Escopo 3 representava ≥ 67% das emissões totais. Agora o limiar caiu para ≥ 40%. Na prática, isso significa que muito mais empresas estão obrigadas a fixar meta de Escopo 3, com cobertura por categoria material.

Limite de neutralização

Máximo 10% das emissões residuais podem ser neutralizadas via créditos. E apenas com remoção (ARR, biochar, DAC, BECCS), não evitamento. REDD+ não conta mais para o residual de net-zero.

Trajetórias setoriais

Caminhos específicos para cimento, aço, alumínio, química, aviação. Empresas desses setores não usam mais a trajetória genérica de 1.5°C; precisam alinhar ao caminho do setor, calibrado pelas restrições tecnológicas reais.

Reavaliação obrigatória a cada 5 anos

Metas validadas precisam ser revalidadas a cada 5 anos, mesmo se o desempenho estiver dentro do esperado. Isso evita que metas se tornem desatualizadas conforme a ciência evolui.

BVCM encorajado

A V2 introduz formalmente o conceito de Beyond Value Chain Mitigation — investimento climático além das emissões da empresa, complementar à descarbonização interna. REDD+ pode entrar aqui, com narrativa diferenciada de neutralização.

Parque eólico em colinas verdes brasileiras ao amanhecer, com turbinas brancas em fila.
SBTi V2 endurece a régua. Quem não revalidar até 2027 perde o selo — energia limpa é só o começo.

Quem precisa agir

EmpresaAção
Com metas validadas até 2025 (V1)Revalidar até dezembro/2027
Submetendo nova meta agoraJá submete direto na V2
Em jornada SBTi mas ainda não submeteuModela direto contra critérios V2
Setor hard-to-abateAplica trajetória setorial específica
Escopo 3 entre 40% e 67%Agora obrigatória meta de Escopo 3

Roteiro operacional de revalidação

  1. Diagnóstico de gap (1 mês): avaliar meta atual contra critérios V2; identificar lacunas em Escopo 3, neutralização e trajetória setorial.
  2. Refinamento de baseline (2 meses): garantir inventário base verificado; revisar fronteira organizacional.
  3. Modelagem de trajetória (1-2 meses): aplicar metodologia setorial onde se aplica; calcular curva de redução.
  4. Plano de transição (1 mês): documentar capex, governança, marcos intermediários.
  5. Redação do compromisso (2 semanas): formato exigido pela SBTi.
  6. Submissão e validação (6-12 meses): fila SBTi.
  7. Comunicação pública: alinhar com relatório anual, CDP, IFRS S2, ESRS E1.

Como a Mangue ajuda

Apoiamos toda a jornada SBTi: definição de baseline, modelagem de trajetória (incluindo trajetórias setoriais), redação do compromisso, submissão e revalidação. Já entregamos +25 metas validadas com primeira aprovação sem ressalva.

Para empresas hard-to-abate, oferecemos análise de viabilidade tecnológica e trajetória ajustada às restrições reais do setor — não fórmula genérica.

Para levar
  • Avalie agora o material para Escopo 3 — se passar de 40%, meta é obrigatória sob V2.
  • Adicione remoção (ARR, biochar) ao portfólio mesmo que hoje use só evitamento (REDD+) — V2 exige remoção para residual de net-zero.
  • Empresas hard-to-abate (cimento, aço, química) precisam alinhar trajetória ao caminho setorial específico, não ao genérico de 1.5°C.
  • Reavaliação obrigatória a cada 5 anos: planeje processo recorrente, não evento único.
  • Prepare narrativa de revalidação com antecedência — fila de validação SBTi tem espera de 6-12 meses em 2026.

Perguntas frequentes

Minha meta validada na V1 ainda vale?+

Continua válida operacionalmente, mas precisa ser revalidada sob V2 até dezembro de 2027. Empresas que não revalidarem perdem o status 'Targets validated' no website do SBTi.

O que muda na metodologia de Escopo 3?+

Antes era obrigatório quando Escopo 3 representava ≥ 67% das emissões totais. Agora o limiar caiu para ≥ 40%. Mais empresas obrigadas, escopo de meta tipicamente maior, exigência de granularidade por categoria.

Posso usar REDD+ para o residual de net-zero?+

Não. V2 exige remoção (ARR, biochar, DAC, BECCS). REDD+ é evitamento — pode ser usado em BVCM (Beyond Value Chain Mitigation) mas não conta para o residual de net-zero.

O que é BVCM?+

Beyond Value Chain Mitigation. Investimento climático além das emissões da empresa, sem alegação de neutralização. Encorajado pela SBTi V2 como complemento à descarbonização interna. Permite uso de créditos de evitamento (REDD+) com narrativa robusta.

Qual o custo de validar uma meta SBTi?+

Taxa de validação SBTi varia entre USD 4.950 e USD 14.500 por validação (2026), conforme tamanho da empresa. Custo principal é trabalho interno + consultoria — geralmente USD 30k-150k para empresa média no primeiro ciclo.

Glossário
SBTi
Science Based Targets initiative. Iniciativa global (CDP + UN Global Compact + WRI + WWF) que valida metas corporativas de redução de emissões alinhadas com a ciência climática.
Corporate Net-Zero Standard
Padrão da SBTi para metas net-zero corporativas. V1 publicada em outubro/2021, V2 em 2024.
Trajetória 1.5°C
Caminho de redução de emissões necessário para limitar aquecimento global a 1.5°C. Tipicamente exige redução absoluta de 4.2% ao ano para Escopos 1+2.
Hard-to-abate
Setores onde descarbonização é tecnicamente difícil: cimento, aço, alumínio, química, aviação, navegação de longo curso.
BVCM
Beyond Value Chain Mitigation. Investimento climático além das emissões da empresa, sem alegação de neutralização.
Trajetória setorial
Caminho de descarbonização específico para um setor, calibrado pelas restrições tecnológicas e de mercado dele.
Net-zero
Redução de mais de 90% das emissões absolutas até a data-alvo + neutralização do residual com remoções.

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