
TNFD: divulgações financeiras sobre natureza e biodiversidade
Guia sobre o TNFD: abordagem LEAP, métricas recomendadas, relação com CSRD/ESRS E4 e como empresas dos setores agro, mineração e energia devem se preparar.
O que é o TNFD e por que importa
O TNFD é uma iniciativa global que visa orientar as organizações a relatar informações sobre seus riscos e oportunidades relacionados à natureza. O objetivo principal é direcionar o fluxo de capital para resultados positivos para a natureza, permitindo que as instituições financeiras e outras partes interessadas tomem decisões mais informadas. A premissa fundamental do TNFD é que a perda de biodiversidade e a degradação dos ecossistemas representam riscos financeiros materiais para as empresas e para a estabilidade do sistema financeiro global.
A dependência da economia global nos serviços ecossistêmicos é vasta e muitas vezes subestimada. A polinização de culturas agrícolas, a purificação da água, a regulação do clima e a formação do solo são exemplos de serviços que a natureza oferece gratuitamente e que são vitais para a produção de bens e serviços. A degradação desses serviços pode levar a:
* Riscos de transição: mudanças regulatórias, preferências do consumidor e inovações tecnológicas que penalizam atividades prejudiciais à natureza.
* Riscos físicos: perdas diretas de ativos ou interrupções operacionais devido a eventos relacionados à natureza, como secas, inundações ou o colapso de populações polinizadoras.
* Riscos de reputação: danos à imagem da empresa, boicotes de consumidores e perda de talentos devido à percepção de irresponsabilidade ambiental.
* Riscos sistêmicos: a interconexão de todos os riscos pode levar a instabilidade econômica em escala macro (vide [link para /frameworks/tnfd]).
Ao fornecer um framework padronizado para as divulgações, o TNFD capacita as empresas a identificar, avaliar e mitigar esses riscos, ao mesmo tempo em que explora oportunidades de inovação e investimento em soluções baseadas na natureza.
A abordagem LEAP
A estrutura de orientação para a avaliação e divulgação do TNFD é organizada em um processo iterativo e holístico conhecido como LEAP (Locate, Evaluate, Assess, Prepare). Este método foi concebido para ser adaptável e aplicável a organizações de diferentes portes e setores.
Locate: Onde na cadeia de valor há interface com a natureza
A fase "Locate" envolve a identificação das interfaces da organização com a natureza em toda a sua cadeia de valor. Isso inclui operações diretas, cadeia de suprimentos a montante e distribuição a jusante. O objetivo é compreender onde e como as atividades da empresa interagem com ecossistemas, espécies e serviços ecossistêmicos.
* Geolocalização: Mapear ativos, operações e fornecedores em relação a áreas de alta biodiversidade, ecossistemas críticos ou regiões com escassez de recursos naturais.
* Análise de Cadeia de Valor: Entender as dependências e impactos da empresa em cada etapa, desde a extração de matérias-primas até o descarte de produtos.
* Avaliação Qualitativa: Utilizar dados disponíveis, mapeamento de stakeholders e entrevistas para identificar as interações mais significativas.
Ferramentas como bases de dados geoespaciais e softwares de mapeamento de cadeia de suprimentos são úteis nesta etapa para visualizar as interfaces e priorizar as áreas de foco.
Evaluate: Dependências e impactos
Uma vez localizadas as interfaces, a fase "Evaluate" se concentra em quantificar e qualificar as dependências e impactos da organização na natureza.
* Dependências: Avaliar o grau em que a empresa depende de serviços ecossistêmicos para operar. Exemplos incluem a dependência de água doce para processos industriais, solos férteis para a agricultura ou recifes de coral para o turismo costeiro. A interrupção desses serviços pode gerar custos significativos ou paralisação de operações.
* Impactos: Analisar como as atividades da organização afetam a natureza. Isso pode incluir a poluição da água/ar, degradação do solo, desmatamento, perda de habitat e emissão de gases de efeito estufa. Os impactos podem ser diretos, indiretos, positivos ou negativos, e devem ser categorizados para uma compreensão clara de sua magnitude e escopo.
Para esta fase, a utilização de ferramentas como o ENCORE (Exploring Natural Capital Opportunities, Risks, and Exposure) do UNEP FI pode ser valiosa. O ENCORE permite que as instituições financeiras e empresas compreendam suas dependências e impactos em relação ao capital natural, cruzando setores econômicos com serviços ecossistêmicos.
Assess: Riscos e oportunidades
A fase "Assess" envolve a identificação e avaliação dos riscos e das oportunidades financeiras que surgem das dependências e impactos da organização na natureza.
* Riscos: Classificar os riscos em físicos, de transição e de reputação, considerando sua probabilidade e magnitude.
* Riscos físicos: Eventos como secas severas que afetam a disponibilidade de água para a produção ou inundações que danificam a infraestrutura.
* Riscos de transição: Mudanças regulatórias que impõem restrições ao uso da terra, multas por poluição ou novas taxas sobre recursos naturais.
* Riscos de reputação: Críticas públicas, ações de ativismo ou perda de confiança de clientes e investidores devido a práticas prejudiciais à natureza.
* Oportunidades: Identificar as possibilidades de gerar valor através de ações positivas para a natureza.
* Inovação de produtos/serviços: Desenvolvimento de produtos mais sustentáveis ou uso de tecnologias que reduzem o impacto ambiental.
* Eficiência operacional: Redução do consumo de água, energia e matérias-primas, gerando economia de custos.
* Acesso a novos mercados: Atender à demanda crescente por produtos e serviços que apoiam a conservação da biodiversidade.
* Melhora da resiliência: Investimento em infraestrutura verde que protege contra eventos climáticos extremos.
Esta etapa requer uma análise financeira robusta para quantificar o potencial impacto financeiro dos riscos e o valor das oportunidades.
Prepare: Estratégia e disclosure
Finalmente, a fase "Prepare" envolve a elaboração de uma estratégia para gerenciar os riscos e capitalizar as oportunidades identificadas, culminando na divulgação das informações relevantes.
* Resposta Estratégica: Desenvolver e implementar planos de ação para mitigar riscos (ex: investir em restauração de ecossistemas, mudar para fornecedores mais sustentáveis) e aproveitar oportunidades (ex: desenvolver novos produtos ecológicos, expandir para mercados de baixo impacto).
* Métricas e Metas: Estabelecer métricas claras e metas ambiciosas para monitorar o progresso e a eficácia das ações tomadas.
* Governança: Definir responsabilidades claras para a gestão de assuntos relacionados à natureza em todos os níveis da organização, incluindo o conselho de administração.
* Divulgação: Publicar as informações relevantes de acordo com as recomendações do TNFD, incluindo:
* Governança: Descrição da supervisão da natureza pela administração e conselho.
* Estratégia: Como os riscos e oportunidades relacionados à natureza impactam a estratégia de negócios da organização.
* Gerenciamento de Riscos e Impactos: Processos para identificar, avaliar e gerenciar riscos e impactos.
* Métricas e Metas: Métricas usadas para avaliar os riscos e oportunidades.
A transparência contínua e a comunicação efetiva são essenciais para construir confiança com os stakeholders e demonstrar o compromisso da organização com a sustentabilidade.
Métricas e indicadores recomendados
O TNFD propõe um conjunto de métricas e indicadores para apoiar as divulgações, divididos em métricas principais (Core Metrics) e métricas adicionais (Additional Metrics). O objetivo é fornecer uma base comum para a comparabilidade e, ao mesmo tempo, permitir flexibilidade para setores e contextos específicos.
Core Metrics vs Additional Metrics
* Core Metrics: São as métricas que o TNFD considera essenciais para todas as organizações divulgarem, independentemente do setor. Elas fornecem uma visão abrangente dos riscos, oportunidades, dependências e impactos mais relevantes.
* Additional Metrics: São métricas que podem ser particularmente relevantes para setores específicos ou para organizações com exposições únicas à natureza. Elas complementam as métricas principais e permitem uma divulgação mais detalhada.
Indicadores de dependência, impacto, risco e oportunidade
Os indicadores são projetados para medir as diferentes facetas da relação da empresa com a natureza:
* Dependência:
* Volume anual de água utilizada em regiões de alto estresse hídrico.
* Percentual de matérias-primas provenientes de ecossistemas de alto valor de biodiversidade.
* Custo potencial de substituição de serviços ecossistêmicos (ex: custos de tratamento de água para substituir a purificação natural).
* Impacto:
* Área de uso da terra e conversão de ecossistemas (ex: hectares desmatados, área impactada por mineração).
* Emissões de poluentes atmosféricos/hídricos em áreas sensíveis.
* Número de espécies ameaçadas afetadas pelas operações.
* Volume de resíduos gerados e tipo de descarte em ecossistemas naturais.
* Risco:
* Percentual da receita ou ativos expostos a áreas de alto risco de biodiversidade.
* Custos potenciais de multas regulatórias ou ações judiciais relacionadas a danos ambientais.
* Custo de interrupção de operações devido a eventos relacionados à natureza (ex: secas, inundações).
* Número de incidentes ambientais significativos registrados.
* Oportunidade:
* Receita gerada a partir de produtos ou serviços com impacto positivo na natureza.
* Investimento em soluções baseadas na natureza (ex: reflorestamento, conservação de mangues).
* Redução de custos operacionais através da melhoria da eficiência de recursos (água, energia).
* Número de parcerias estratégicas para a conservação da biodiversidade.
Exemplos concretos por setor
* Agronegócio [link para /segmentos/agronegocio]:
* Dependência: Volume de água para irrigação, fertilidade do solo.
* Impacto: Área de desmatamento para expansão agrícola, uso de pesticidas, emissões de metano.
* Risco: Perda de cultivares devido a mudanças climáticas, restrições regulatórias sobre uso de agrotóxicos.
* Oportunidade: Desenvolvimento de safras resistentes à seca, agricultura regenerativa, certificações de sustentabilidade.
* Mineração [link para /segmentos/mineracao]:
* Dependência: Acesso a recursos hídricos, serviços de regulação do solo.
* Impacto: Degradação de ecossistemas, contaminação do solo e água, perda de espécies.
* Risco: Oposição de comunidades locais, multas por vazamento de rejeitos, interrupção de operações por desastres naturais.
* Oportunidade: Reabilitação de áreas mineradas, tecnologias de extração de baixo impacto, investimento em energias renováveis para suas operações.
* Energia (hidroelétricas, eólica offshore):
* Dependência: Fluxo de água para geração hidrelétrica, ventos para eólica.
* Impacto: Alteração de ecossistemas fluviais, impacto em aves e morcegos, alteração de correntes marinhas.
* Risco: Secas prolongadas, restrições ambientais para novos projetos, impactos sobre vida marinha.
* Oportunidade: Desenvolver projetos com design de baixo impacto, pesquisa em tecnologias de monitoramento ambiental, parcerias para restauração de ecossistemas locais.
Relação com CSRD/ESRS E4
A Diretiva de Relatórios de Sustentabilidade Corporativa (CSRD) da União Europeia e seus Padrões Europeus de Relatórios de Sustentabilidade (ESRS) são desenvolvimentos regulatórios chave que se alinham e complementam o TNFD. O ESRS E4 (Biodiversidade e Ecossistemas) é particularmente relevante, pois estabelece requisitos detalhados para a divulgação de informações relacionadas à biodiversidade para empresas sujeitas à CSRD.
Como TNFD e ESRS E4 se complementam
Enquanto o TNFD oferece um framework global voluntário para entidades reportantes, o ESRS E4 é uma exigência regulatória específica para empresas que operam na ou para a UE. A boa notícia é que há um alto grau de interoperabilidade entre os dois.
* Alinhamento de Princípios: Ambos os frameworks compartilham princípios como a materialidade dupla (impactos financeiros e impactos na biodiversidade) e a importância de uma abordagem baseada na cadeia de valor.
* Estrutura Semelhante: O ESRS E4 segue uma estrutura semelhante ao TNFD, cobrindo governança, estratégia, gestão de impactos e riscos/oportunidades, e métricas e metas. Isso significa que uma organização que já implementa a metodologia LEAP do TNFD terá uma base sólida para cumprir os requisitos do ESRS E4.
* Detalhes e Especificidade: O ESRS E4 fornece requisitos mais prescritivos e detalhados para a divulgação, enquanto o TNFD oferece uma orientação mais geral e adaptável. Empresas que utilizam o TNFD como base podem adaptar suas divulgações para atender às especificidades do ESRS E4. Por exemplo, as definições e o escopo de "biodiversidade" e "ecossistemas" no ESRS E4 são abrangentes e consistentes com a abordagem do TNFD.
* Interoperabilidade: O Grupo de Conselheiros Técnicos (TAG) do TNFD e o Grupo Consultivo Europeu de Relatórios Financeiros (EFRAG), responsável pelo desenvolvimento dos ESRS, trabalharam em conjunto para garantir a máxima interoperabilidade. Isso visa reduzir a carga de relatórios para as empresas que precisarão cumprir ambos os frameworks. Ao adotar o TNFD, as empresas europeias estarão, em grande parte, se preparando para o compliance com o ESRS E4.
Em resumo, a implementação das recomendações do TNFD pode ser um passo eficaz para as empresas europeias se prepararem para as exigências regulatórias mandatórias do ESRS E4. O TNFD funciona como um guia prático para moldar a estratégia e os processos internos, enquanto o ESRS E4 estabelece o padrão mínimo de divulgação e o formato necessário para compliance.
Setores mais afetados
A degradação da natureza e a perda de biodiversidade não afetam todos os setores da economia da mesma forma. Alguns são intrinsecamente mais dependentes da natureza ou causam impactos mais significativos, o que os torna prioritários para as divulgações do TNFD.
Agronegócio (desmatamento, uso do solo)
O setor agrícola é um dos principais vetores da perda de biodiversidade global. Suas atividades são intensamente dependentes da saúde dos ecossistemas para a produção, como a fertilidade do solo, a polinização e a disponibilidade de água.
* Riscos específicos:
* Físicos: Variações climáticas extremas que afetam a produtividade das culturas (secas, inundações), pragas e doenças que se proliferam em ambientes degradados, colapso de populações de polinizadores.
* Transição: Regulamentações mais estritas sobre o uso de pesticidas e fertilizantes, metas de desmatamento zero, demanda de consumidores por produtos de baixo impacto ambiental, sanções em cadeias de suprimentos ligadas ao desmatamento.
* Reputação: Campanhas de ativismo contra práticas insustentáveis, exclusão de investidores e compradores por falta de comprovação de sustentabilidade.
* Oportunidades:
* Adoção de práticas regenerativas que melhoram a saúde do solo e a biodiversidade.
* Certificações de sustentabilidade que abrem novos mercados e premiums.
* Desenvolvimento de cadeias de suprimentos mais resilientes e rastreáveis.
Mineração (impacto em ecossistemas)
A indústria da mineração tem um impacto direto e transformador sobre os ecossistemas, devido à alteração de paisagens, descarte de resíduos e consumo de recursos hídricos.
* Riscos específicos:
* Físicos: Contaminação de corpos d'água e solos, perda de habitats resultando em extinção de espécies locais, desestabilização geológica que pode levar a deslizamentos.
* Transição: Restrições regulatórias sobre a abertura de novas minas em áreas sensíveis, aumento dos custos de mitigação e recuperação ambiental, tecnologias de reciclagem de metais que reduzem a demanda por mineração virgem.
* Reputação: Protestos de comunidades, perda da licença social para operar, desinvestimento de fundos de investimento com critérios ESG.
* Oportunidades:
* Uso de tecnologias de baixo impacto ambiental.
* Investimento em recuperação e restauração de áreas mineradas.
* Desenvolvimento de estratégias de economia circular para minerais.
Energia (hidroelétricas, eólica offshore)
O setor de energia, mesmo as fontes "verdes", pode ter impactos significativos na natureza.
* Hidroelétricas:
* Riscos: Alteração de ecossistemas fluviais, migração de peixes, sedimentação de represas, impactos sobre comunidades ribeirinhas, secas que afetam a capacidade de geração.
* Oportunidades: Modernização de plantas existentes para mitigar impactos, avaliação de impacto ambiental rigorosa para novos projetos.
* Eólica Offshore:
* Riscos: Impacto em aves marinhas e morcegos, ruído submarino afetando a vida marinha, alteração de correntes e habitats.
* Oportunidades: Tecnologia de design de turbinas que minimiza o impacto, monitoramento ambiental avançado, planejamento espacial marinho para evitar áreas sensíveis.
Todos esses setores, assim como financeiro, imobiliário, alimentos e bebidas, e manufatura, devem realizar avaliações detalhadas para entender suas exposições e reportar suas divulgações de acordo com o TNFD.
Como começar uma avaliação TNFD
Iniciar uma avaliação TNFD pode parecer complexo, mas seguir um conjunto de passos práticos pode simplificar o processo e garantir a eficácia.
Passos práticos: mapear dependências, usar ferramentas como ENCORE e IBAT, análise de materialidade para natureza, governance
- Engajamento da Liderança e Governança: O primeiro passo fundamental é assegurar o compromisso da alta direção e do conselho de administração. A natureza precisa ser integrada na estratégia e na tomada de decisões em nível executivo. Designar um responsável pela implementação do TNFD e estabelecer um comitê de governança que inclua especialistas em sustentabilidade e finanças.
- Mapear Dependências e Impactos Primários:
* Identificação de Ativos e Operações: Liste todas as operações, ativos e locais geográficos da empresa.
* Análise da Cadeia de Valor: Estenda a análise para a cadeia de suprimentos a montante (fornecedores) e a jusante (distribuição, uso do produto, descarte). Onde e como as atividades da empresa interagem com a natureza?
* Fontes de Dados: Colete dados sobre o uso de recursos naturais (água, solo), emissões, descarte de resíduos e localização de operações em relação a áreas de biodiversidade.
- Utilizar Ferramentas de Apoio:
* ENCORE (Exploring Natural Capital Opportunities, Risks and Exposure): Desenvolvida pelo UNEP FI, esta ferramenta auxilia na identificação de dependências e impactos em serviços ecossistêmicos para diferentes setores da economia. Ela pode ajudar a priorizar áreas de foco.
* IBAT (Integrated Biodiversity Assessment Tool): Uma ferramenta de mapeamento que permite às empresas e instituições financeiras comparar o local de suas operações (ou investimentos) com informações sobre áreas protegidas, habitats de espécies ameaçadas e outros dados de biodiversidade. Isso é crucial para a fase "Locate" e para identificar áreas de alto risco.
* Bases de dados geoespaciais e de satélite: Utilizar imagens de satélite e dados geoespaciais pode ajudar a monitorar mudanças no uso do solo, desmatamento e degradação de ambientes naturais em áreas de operação ou cadeia de suprimentos.
- Análise de Materialidade para a Natureza:
* Dupla Materialidade: Avaliar não apenas os riscos financeiros que a natureza representa para a empresa (materialidade financeira), mas também os impactos da empresa na natureza (materialidade de impacto).
* Diálogo com Stakeholders: Engajar-se com partes interessadas (comunidades locais, ONGs, clientes, reguladores) para entender suas percepções sobre os impactos e dependências da empresa na natureza. Isso proporciona uma visão mais completa dos riscos e oportunidades materiais.
* Priorização: Com base na análise, identificar os temas mais materiais relacionados à natureza que exigem maior atenção e divulgação.
- Desenvolvimento de Estratégias e Metas:
* Plano de Ação: Com base nos riscos e oportunidades identificados, desenvolver um plano de ação claro com responsabilidades, prazos e recursos.
* Definição de Métricas e Metas: Estabelecer métricas quantitativas e metas ambiciosas para monitorar o progresso (ex: reduzir o uso de água em X%, restaurar Y hectares de habitat).
- Divulgação e Relato:
* Estrutura do TNFD: Preparar o relatório seguindo as recomendações do TNFD para governança, estratégia, gerenciamento de riscos e impactos, e métricas e metas.
* Clareza e Transparência: Assegurar que as divulgações sejam claras, concisas, comparáveis e verificáveis.
Este processo iterativo permitirá que as organizações aprofundem sua compreensão e resposta aos desafios e oportunidades relacionados à natureza ao longo do tempo.
Como a Mangue Tech ajuda
A Mangue Tech posiciona-se como um parceiro estratégico para empresas que buscam navegar pelas complexidades das divulgações financeiras relacionadas à natureza, alinhando-se aos frameworks do TNFD e às exigências regulatórias como o ESRS E4. Nosso suporte abrange diversas etapas da jornada de avaliação e compliance.
* Avaliação de riscos relacionados à natureza na cadeia de valor: Desenvolvemos análises detalhadas para identificar e mapear as dependências e os impactos da sua empresa na natureza ao longo de toda a cadeia de valor. Utilizamos uma abordagem sistemática para localizar áreas geográficas de alto risco biológico, quantificar o uso de recursos naturais e avaliar a vulnerabilidade da sua operação e dos seus fornecedores. Nossa metodologia integra dados geográficos, informações de biodiversidade (como as fornecidas pelo IBAT) e dados operacionais para fornecer uma visão clara dos seus pontos de exposição e interdependência com os ecossistemas.
* Integração com inventário de emissões: Reconhecemos a interconexão entre as agendas do clima e da natureza. Em nossa abordagem, integramos a avaliação dos riscos relacionados à natureza com o seu inventário de emissões de gases de efeito estufa. Isso permite uma compreensão holística dos impactos ambientais da sua empresa e a identificação de sinergias nas estratégias de mitigação. Por exemplo, ações de restauração de ecossistemas não apenas beneficiam a biodiversidade, mas também podem contribuir para a remoção de carbono e a resiliência climática.
* Suporte a compliance ESRS E4: Com a crescente demanda por relatórios de sustentabilidade na União Europeia através da CSRD e seus Padrões Europeus de Relatórios de Sustentabilidade (ESRS), oferecemos suporte técnico para garantir que as divulgações da sua empresa atendam aos requisitos específicos do ESRS E4 (Biodiversidade e Ecossistemas). Nossa equipe está preparada para auxiliar na interpretação dos padrões, na coleta e organização dos dados necessários, e na elaboração de relatórios que satisfaçam as exigências regulatórias, minimizando a carga de compliance e garantindo a qualidade e a credibilidade das informações.
Através de uma combinação de expertise técnica, uso de ferramentas avançadas e uma compreensão profunda dos frameworks regulatórios e voluntários, a Mangue Tech capacita as empresas a converter os desafios da natureza em oportunidades de valor e resiliência.
- Use ENCORE e IBAT como ferramentas iniciais para mapear dependências e impactos
- Integre avaliação TNFD com o inventário de emissões — natureza e clima são interdependentes
- Priorize setores com interface direta com ecossistemas (uso do solo, água, biodiversidade)
- Comece pela fase Locate do LEAP para identificar onde na cadeia de valor há interação com natureza
Perguntas frequentes
TNFD é obrigatório?+
O TNFD em si é voluntário, mas a CSRD/ESRS E4 torna obrigatório o disclosure sobre biodiversidade para empresas sujeitas à diretiva europeia.
Qual a diferença entre TCFD e TNFD?+
TCFD foca em riscos climáticos. TNFD amplia para todos os riscos relacionados à natureza: biodiversidade, água, solo, oceanos.
Quais ferramentas usar para uma avaliação TNFD?+
ENCORE (dependências e impactos setoriais), IBAT (biodiversidade por localização), STAR (pegada de biodiversidade) são as mais recomendadas.
- TNFD
- Taskforce on Nature-related Financial Disclosures — framework para divulgações sobre natureza
- LEAP
- Locate, Evaluate, Assess, Prepare — abordagem em 4 fases do TNFD
- ENCORE
- Ferramenta do UNEP-WCMC que mapeia dependências e impactos setoriais na natureza
- ESRS E4
- Padrão europeu de reporte sobre biodiversidade e ecossistemas (parte da CSRD)
- Capital natural
- Estoque de recursos naturais (solo, água, ar, biodiversidade) que gera serviços ecossistêmicos
Frameworks mencionados neste artigo
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