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Imagem ilustrativa de tecnologia industrial de captura de carbono
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Mercado de Carbono 6 min de leitura29 de outubro de 2026

Remoção tecnológica de carbono: DAC, BECCS e o crédito durável

DAC e BECCS retiram CO₂ da atmosfera e o armazenam no subsolo por milhares de anos. Como funcionam, por que custam caro e o potencial do etanol brasileiro.

Emilia Minieri
Emilia Minieri
Head de Operações e Metodologia · Mangue
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O que é remoção tecnológica

São tecnologias que retiram CO₂ da atmosfera e o armazenam de forma durável, em geral em formações geológicas no subsolo, por milhares de anos. As duas principais:

  • DAC (Direct Air Capture): máquinas com ventiladores e filtros químicos capturam CO₂ direto do ar ambiente. O CO₂ é comprimido e injetado no subsolo ou mineralizado.
  • BECCS (Bioenergy with Carbon Capture and Storage): a planta captura CO₂ ao crescer; a biomassa é usada para gerar energia ou combustível, e o CO₂ liberado no processo é capturado e armazenado. O balanço é de remoção.

Outras rotas: intemperismo acelerado de rochas (ERW), alcalinização oceânica e mineralização em concreto.

Por que interessa

  • Durabilidade: o carbono fica guardado por milhares de anos, sem o risco de incêndio de uma floresta.
  • Medição: o CO₂ injetado é medido diretamente.
  • Net zero: é o tipo de remoção mais alinhado à neutralização de emissões residuais no longo prazo.

Os limites

  • Custo: a remoção por DAC ainda custa centenas de dólares por tonelada, muito acima da maioria dos créditos.
  • Energia: DAC consome muita energia, que precisa ser limpa para o saldo fazer sentido.
  • Escala: a capacidade instalada no mundo ainda é pequena.
  • Biomassa (BECCS): precisa vir de fonte sustentável, sem desmatamento.

BECCS e o etanol brasileiro

A fermentação da cana e do milho nas usinas de etanol libera CO₂ biogênico quase puro, o que barateia a captura. O Brasil tem centenas de usinas e formações geológicas com potencial de armazenamento. A Lei do Combustível do Futuro (Lei 14.993/2024) criou o marco legal de captura e estocagem geológica de CO₂, regulado pela ANP, o que abre caminho para projetos de BECCS no país.

Como usar o crédito no inventário

Crédito de carbono não reduz as emissões do Inventário GHG: ele é reportado separado, como compensação. A ordem é medir, reduzir e só então compensar o que sobra, com crédito de alta integridade. Os outros tipos de projeto estão no guia de tipos de projetos de crédito de carbono. Na Mangue Tech, os créditos de carbono para compensação são originados pela Carbonext.

Para levar
  • DAC e BECCS armazenam carbono por milhares de anos
  • Medição direta dá alta confiança ao crédito
  • Custo e energia ainda limitam a escala
  • Etanol + captura é a grande oportunidade brasileira

Perguntas frequentes

O que é DAC?+

DAC (Direct Air Capture) é a captura direta de CO₂ do ar por máquinas com filtros químicos. O CO₂ capturado é armazenado no subsolo ou mineralizado.

O que é BECCS?+

BECCS é bioenergia com captura e armazenamento de carbono: a biomassa captura CO₂ ao crescer, gera energia, e o CO₂ do processo é capturado e guardado no subsolo, resultando em remoção líquida.

Por que crédito de DAC é caro?+

Porque o CO₂ está muito diluído no ar, o que exige muita energia e equipamento para capturá-lo. A tecnologia ainda está em escala pequena.

O Brasil tem potencial para BECCS?+

Sim. Usinas de etanol liberam CO₂ biogênico quase puro na fermentação, e a Lei do Combustível do Futuro criou o marco legal de estocagem geológica de CO₂.

Glossário
Estocagem geológica
Injeção de CO₂ em formações rochosas profundas, onde fica preso por milhares de anos.
CO₂ biogênico
CO₂ originado de biomassa, como o liberado na fermentação do etanol.
Fontes

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