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Complexo industrial com chaminés liberando fumaça ao entardecer, representando fontes de emissão de gases de efeito estufa
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Inventário 9 min de leitura26 de outubro de 2026

Emissões de gases de efeito estufa: o que são e principais fontes

O que são emissões de gases de efeito estufa, os sete gases medidos, as principais fontes e o escopo de cada uma, o perfil do Brasil, as fontes típicas por setor e como medir e reduzir.

Emilia Minieri
Emilia Minieri
Head de Operações e Metodologia · Mangue Tech
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O que são emissões de gases de efeito estufa? São as liberações para a atmosfera de gases que retêm calor, como CO₂, metano e óxido nitroso. Elas vêm da queima de combustíveis, de processos industriais, de vazamentos, da agropecuária, do desmatamento e dos resíduos. Numa empresa, cada fonte entra no Escopo 1, 2 ou 3 do inventário, e é medida em tCO₂e para que gases diferentes possam ser somados.

O que são emissões de gases de efeito estufa

Gases de efeito estufa (GEE) são gases que deixam a luz do sol passar, mas retêm parte do calor que a Terra devolve ao espaço. Esse efeito é natural e mantém o planeta habitável. O problema está no excesso: desde a Revolução Industrial, a atividade humana elevou a concentração desses gases na atmosfera, e o calor retido a mais aquece o clima.

Emissões de gases de efeito estufa são, portanto, as liberações desses gases provocadas pela atividade humana: queimar combustível, fabricar cimento, criar gado, desmatar, descartar resíduos. Medir essas emissões é o primeiro passo de qualquer estratégia climática, seja de um país, seja de uma empresa.

Quais gases entram na conta

O inventário corporativo, pelo GHG Protocol, cobre sete gases. Seis deles estavam no Protocolo de Kyoto, de 1997. O sétimo, o trifluoreto de nitrogênio, foi incluído depois, na emenda de Doha.

GásFórmulaOnde aparece com mais frequência
Dióxido de carbonoCO₂Queima de combustíveis fósseis, cimento, desmatamento
MetanoCH₄Rebanho bovino, aterros, efluentes, vazamento de gás natural
Óxido nitrosoN₂OFertilizantes nitrogenados, manejo de dejetos, alguns processos químicos
HidrofluorcarbonosHFCsGases refrigerantes de ar-condicionado e refrigeração
PerfluorcarbonosPFCsProdução de alumínio, indústria eletrônica
Hexafluoreto de enxofreSF₆Isolamento de equipamentos elétricos de alta tensão
Trifluoreto de nitrogênioNF₃Fabricação de semicondutores e telas

O que é tCO₂e e o potencial de aquecimento global

Cada gás aquece o planeta com intensidade diferente. Para somar tudo numa unidade só, o inventário usa o potencial de aquecimento global (GWP, na sigla em inglês). O GWP diz quantas toneladas de CO₂ teriam o mesmo efeito de uma tonelada do gás num horizonte de 100 anos.

O resultado é a tonelada de CO₂ equivalente, ou tCO₂e. Alguns valores de referência, pelos relatórios do IPCC:

  • Metano: cerca de 28 vezes o CO₂.
  • Óxido nitroso: 265 vezes no quinto relatório (AR5) e 273 vezes no sexto (AR6).
  • SF₆: mais de 20 mil vezes.

Por isso um vazamento pequeno de gás refrigerante ou de SF₆ pode pesar mais no inventário do que a sua massa sugere. E por isso a versão do GWP usada precisa ser a mesma ao longo da série histórica. Misturar AR5 e AR6 cria variações que não aconteceram na operação.

Principais fontes de emissão e o escopo de cada uma

O GHG Protocol separa as emissões de uma empresa em três escopos. O Escopo 1 reúne as emissões diretas, de fontes que a empresa controla. O Escopo 2 cobre a energia comprada. O Escopo 3 traz as emissões indiretas da cadeia de valor. A mesma fonte pode cair em escopos diferentes, conforme quem controla a atividade.

FonteExemplosEscopo
Combustão estacionáriaCaldeiras, fornos, geradores a diesel1
Combustão móvelFrota própria de caminhões, carros, empilhadeiras1 (frota própria) ou 3 (transporte terceirizado, viagens, deslocamento)
Processos industriaisCalcinação no cimento, redução na siderurgia, reações químicas1
Emissões fugitivasVazamento de gás refrigerante, SF₆ em subestações, gás natural1
Energia elétrica e térmica compradaConta de luz, vapor comprado2
AgropecuáriaFermentação entérica do gado, dejetos, fertilizantes1 (operação própria) ou 3 (insumos comprados)
Mudança de uso da terraSupressão de vegetação nativa1 (área própria) ou 3 (cadeia de fornecimento)
Resíduos e efluentesAterro, estação de tratamento de efluentes1 (tratamento próprio) ou 3 (tratamento por terceiros)

Algumas observações que evitam erro na classificação:

Combustão. O CO₂ da queima de etanol, biodiesel ou lenha de origem renovável é biogênico. Pelo GHG Protocol, ele é relatado à parte, fora dos escopos. O metano e o óxido nitroso dessa mesma queima, porém, entram no Escopo 1.

Energia comprada. O Escopo 2 tem duas abordagens: por localização, com o fator médio da rede, e por escolha de compra, que reflete contratos e certificados de energia renovável. O GHG Protocol pede que a empresa relate as duas quando tiver acesso a instrumentos de compra.

Cadeia de valor. Transporte contratado, matéria-prima, viagens, resíduos enviados a terceiros e uso dos produtos vendidos são Escopo 3. As 15 categorias estão no guia prático do Escopo 3.

O perfil das emissões no Brasil

Na maior parte dos países industrializados, a principal fonte de emissões é a energia: queima de carvão, petróleo e gás para gerar eletricidade, mover veículos e abastecer a indústria. O Brasil é diferente.

O SEEG (Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa), mantido pelo Observatório do Clima, organiza as emissões brasileiras em cinco setores: mudança de uso da terra e florestas, agropecuária, energia, processos industriais e resíduos. Nas séries do SEEG, a mudança de uso da terra, puxada pelo desmatamento, aparece como o maior setor emissor do país na maior parte dos anos, com a agropecuária logo atrás. Juntos, os dois respondem pela maior parte das emissões brutas brasileiras.

Esse perfil tem duas explicações. A primeira é o peso do desmatamento na Amazônia e no Cerrado. A segunda é o tamanho do rebanho bovino e da agricultura, que emitem metano e óxido nitroso. Ao mesmo tempo, a matriz elétrica brasileira é majoritariamente renovável, com forte participação hidrelétrica, eólica e solar. Por isso o Escopo 2 de uma empresa no Brasil tende a ser menor do que seria num país que gera eletricidade com carvão.

O inventário oficial do país é publicado pelo MCTI, no sistema SIRENE. O SEEG é uma estimativa independente, atualizada todo ano, útil para acompanhar a tendência por setor e por estado.

Emissões brutas, remoções e emissões líquidas

O SEEG, assim como os inventários nacionais, estima também remoções: o carbono que florestas em crescimento e áreas protegidas retiram da atmosfera. Por isso os números do país aparecem de duas formas. A emissão bruta é tudo o que foi liberado. A emissão líquida desconta as remoções.

A distinção vale também para empresas. Num inventário corporativo, o número principal é sempre a emissão bruta. Remoções e créditos de carbono, quando existem, são relatados à parte, para que quem lê consiga separar o que foi reduzido do que foi compensado.

Fontes típicas por setor

Cada setor tem um perfil próprio. Saber onde costumam estar as maiores fontes ajuda a priorizar a coleta de dados.

  • Indústria: combustão em caldeiras e fornos, processos industriais, energia comprada e matérias-primas, que entram no Escopo 3.
  • Transporte: combustão móvel de diesel na frota própria, que domina o Escopo 1, e gás refrigerante em veículos com câmara fria.
  • Varejo: energia das lojas, vazamento de refrigerante em balcões e câmaras frias e, de longe a maior parte, produtos comprados para revenda e logística, no Escopo 3.
  • Serviços: energia de escritórios, viagens a trabalho, deslocamento de funcionários e serviços contratados. O Escopo 3 costuma ser a maior fatia.
  • Agronegócio: fermentação entérica do gado, fertilizantes nitrogenados, manejo de dejetos, diesel de máquinas e, quando houver, mudança de uso da terra.
  • Construção: materiais como cimento e aço, que entram no Escopo 3, diesel de equipamentos no canteiro e resíduos de obra.
  • Energia: combustão em usinas térmicas, SF₆ em equipamentos de alta tensão e emissões da cadeia de combustíveis.
  • Mineração: diesel de equipamentos de lavra e transporte, explosivos, energia comprada e, em alguns casos, supressão de vegetação.

Como medir as emissões da sua empresa

O instrumento para medir é o Inventário GHG. Ele segue uma lógica simples: para cada fonte, multiplica-se o dado de atividade pelo fator de emissão.

Emissão (tCO₂e) = dado de atividade × fator de emissão

O dado de atividade é o que a empresa já registra: litros de diesel, kWh de energia, toneladas de resíduo, quilômetros rodados, valor de compras. O fator de emissão converte essa atividade em gás emitido. No Brasil, a referência são os fatores do MCTI, como o fator do Sistema Interligado Nacional para energia elétrica. Na falta deles, usam-se os do IPCC. As diferenças entre as bases estão no guia de fatores de emissão do MCTI e do IPCC.

O passo a passo completo, da definição de fronteira à verificação independente, está em como fazer o inventário de gases de efeito estufa. Os cinco pontos que mais pesam na qualidade do resultado:

  1. Definir a fronteira organizacional e operacional antes de coletar dados.
  2. Guardar o documento de origem de cada número: nota fiscal, fatura, planilha de abastecimento.
  3. Registrar fonte, ano e versão de cada fator de emissão.
  4. Medir o Escopo 3 desde o primeiro ano, mesmo que por estimativa.
  5. Submeter o resultado a verificação independente antes de comunicar.

Como reduzir as emissões

Com as fontes mapeadas, a redução deixa de ser genérica e passa a ter endereço. As alavancas mais comuns, por tipo de fonte:

  • Combustão estacionária: eficiência energética, troca de combustível fóssil por biomassa ou biocombustível, eletrificação de processos térmicos.
  • Combustão móvel: renovação da frota, biocombustíveis, eletrificação, roteirização e ocupação de carga.
  • Emissões fugitivas: manutenção preventiva e troca por refrigerantes de menor GWP.
  • Energia comprada: contratação de energia renovável com rastreabilidade e geração própria.
  • Agropecuária: manejo de pastagens, aplicação precisa de fertilizante e tratamento de dejetos.
  • Escopo 3: engajamento de fornecedores, critério de compra e mudança de material.

Para transformar essas alavancas em meta, o caminho é a meta baseada em ciência. O conceito de net zero mostra onde essa jornada termina.

Onde a Mangue Tech ajuda

A Mangue Tech calcula o Inventário GHG dos Escopos 1, 2 e 3 pelo GHG Protocol, com fatores do MCTI e do IPCC e documento de origem ligado a cada linha. O resultado mostra de onde vêm as emissões da empresa, por fonte, unidade e escopo, e vira a base do plano de redução.

Para levar
  • Meça os sete gases do GHG Protocol e converta tudo para tCO₂e com a mesma versão de GWP em toda a série
  • Classifique cada fonte no escopo certo: a mesma atividade pode ser Escopo 1 ou Escopo 3, conforme quem a controla
  • Relate o CO₂ biogênico de etanol e biodiesel à parte, mas inclua o metano e o óxido nitroso da queima no Escopo 1
  • Use os fatores do MCTI como primeira referência no Brasil e registre fonte e versão de cada um
  • Priorize a coleta de dados pelas fontes que costumam dominar o seu setor
  • Não deixe o Escopo 3 para depois: em muitos setores é onde está a maior parte das emissões

Perguntas frequentes sobre emissões de gases de efeito estufa

O que são emissões de gases de efeito estufa?+

São as liberações para a atmosfera, provocadas pela atividade humana, de gases que retêm calor, como CO₂, metano e óxido nitroso. Vêm da queima de combustíveis, de processos industriais, de vazamentos, da agropecuária, do desmatamento e dos resíduos.

O que é GEE?+

GEE é a sigla de gases de efeito estufa. O inventário corporativo pelo GHG Protocol cobre sete: dióxido de carbono (CO₂), metano (CH₄), óxido nitroso (N₂O), hidrofluorcarbonos (HFCs), perfluorcarbonos (PFCs), hexafluoreto de enxofre (SF₆) e trifluoreto de nitrogênio (NF₃).

Quais são as principais fontes de emissão de gases de efeito estufa?+

Combustão estacionária e móvel, processos industriais, emissões fugitivas, energia elétrica comprada, agropecuária, mudança de uso da terra e tratamento de resíduos e efluentes. O peso de cada uma muda conforme o país e o setor.

Quais setores mais emitem gases de efeito estufa no Brasil?+

Segundo o SEEG, do Observatório do Clima, a mudança de uso da terra, puxada pelo desmatamento, e a agropecuária respondem pela maior parte das emissões brutas do Brasil. Energia, processos industriais e resíduos vêm depois. Em países industrializados, a energia costuma liderar.

O que é tCO₂e?+

É a tonelada de CO₂ equivalente, unidade que converte todos os gases de efeito estufa para a mesma base usando o potencial de aquecimento global (GWP) de cada um. Uma tonelada de metano, por exemplo, equivale a cerca de 28 tCO₂e.

Como uma empresa mede as próprias emissões?+

Com um Inventário GHG pelo GHG Protocol. Para cada fonte, o dado de atividade, como litros de diesel ou kWh, é multiplicado por um fator de emissão, de preferência do MCTI no Brasil. O resultado é organizado em Escopos 1, 2 e 3 e passa por verificação independente.

Glossário
GEE
Gases de efeito estufa. Gases que retêm calor na atmosfera, como CO₂, metano e óxido nitroso.
tCO₂e
Tonelada de CO₂ equivalente. Unidade que soma gases diferentes usando o potencial de aquecimento global de cada um.
GWP
Global warming potential, ou potencial de aquecimento global. Quanto um gás aquece em relação ao CO₂ num horizonte de 100 anos.
Emissão fugitiva
Liberação não intencional de gás, como vazamento de refrigerante, de SF₆ ou de gás natural.
CO₂ biogênico
CO₂ emitido na queima ou decomposição de biomassa, como etanol e biodiesel. É relatado à parte, fora dos escopos.
SEEG
Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa, mantido pelo Observatório do Clima.
Fontes

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