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Frameworks 7 min de leitura27 de outubro de 2026

TCFD: o que é, os 4 pilares e como virou o IFRS S2

O que é a TCFD, os quatro pilares de divulgação, riscos físicos e de transição, análise de cenários e como as recomendações viraram o IFRS S2.

Alexandre Kelemen
Alexandre Kelemen
Cofundador & CEO · Mangue Tech
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O que é a TCFD

A TCFD (Task Force on Climate-related Financial Disclosures) é a força-tarefa criada em 2015 pelo Conselho de Estabilidade Financeira (FSB), ligado ao G20, para definir como as empresas devem divulgar os riscos e as oportunidades financeiras ligados ao clima. Suas recomendações, publicadas em 2017, viraram a referência mundial de relato climático e foram incorporadas ao IFRS S2.

A ideia central da TCFD é tratar clima como risco financeiro: em vez de só relatar emissões, a empresa explica como o clima afeta a estratégia, o caixa e o valor do negócio.

Os quatro pilares da TCFD

PilarO que a empresa divulga
GovernançaComo o conselho e a diretoria supervisionam os riscos e as oportunidades climáticas
EstratégiaQuais riscos e oportunidades afetam o negócio no curto, médio e longo prazo, e o que acontece em diferentes cenários climáticos
Gestão de riscosComo a empresa identifica, avalia e gerencia os riscos climáticos, e como isso entra na gestão de riscos geral
Métricas e metasQuais indicadores usa, incluindo emissões dos Escopos 1, 2 e, quando relevante, 3, e quais metas persegue

Dentro dos quatro pilares, a TCFD recomenda 11 divulgações específicas.

Riscos físicos e riscos de transição

A TCFD separa os riscos climáticos em dois tipos:

  • Riscos físicos: agudos, como enchentes, secas e ondas de calor, e crônicos, como aumento de temperatura média e mudança no regime de chuvas.
  • Riscos de transição: regulação (preço de carbono, SBCE, CBAM), tecnologia, mercado e reputação, à medida que a economia corta emissões.

A análise de cenários é o exercício de testar a estratégia contra futuros climáticos diferentes, por exemplo um mundo que limita o aquecimento a 1,5 °C e outro em que o aquecimento passa de 3 °C.

Como a TCFD virou o IFRS S2

Em 2023, o ISSB, órgão da Fundação IFRS, publicou o IFRS S2, padrão de divulgação climática que incorpora integralmente as recomendações da TCFD e acrescenta exigências, como divulgações por setor e emissões financiadas para instituições financeiras.

Com isso, a TCFD considerou sua missão cumprida e encerrou as atividades em outubro de 2023. O acompanhamento das divulgações climáticas passou para a Fundação IFRS. Na prática, quem segue o IFRS S2 cumpre as recomendações da TCFD.

E no Brasil

A CVM adotou os padrões IFRS S1 e S2 para companhias abertas pela Resolução CVM 193. Com a Resolução CVM 244, a adoção passou a ser voluntária, mas investidores, bancos e clientes seguem pedindo o relato no formato.

No sistema financeiro, o Banco Central exige das instituições um relatório de riscos sociais, ambientais e climáticos inspirado na estrutura da TCFD.

Como começar

  1. Governança: defina quem no conselho e na diretoria responde pelo tema climático.
  2. Inventário: faça o Inventário GHG dos Escopos 1, 2 e 3, base das métricas.
  3. Riscos: mapeie riscos físicos e de transição por unidade e por cadeia de suprimento.
  4. Cenários: teste a estratégia em pelo menos dois cenários climáticos.
  5. Metas: defina metas de redução, de preferência baseadas em ciência.
  6. Relato: publique no formato IFRS S2, que já contém a estrutura da TCFD.

Como a Mangue Tech ajuda

A Mangue Tech faz o Inventário GHG que alimenta o pilar de métricas, conduz a análise de risco climático com cenários e estrutura o relato no formato IFRS S2, com a trilha de cada número pronta para verificação independente.

Para levar
  • Quem segue o IFRS S2 cumpre as recomendações da TCFD
  • O Inventário GHG é a base do pilar de métricas e metas
  • Análise de cenários testa a estratégia contra futuros climáticos diferentes
  • Riscos de transição incluem SBCE e CBAM, não só eventos climáticos

Perguntas frequentes

O que é TCFD?+

É a Task Force on Climate-related Financial Disclosures, força-tarefa criada em 2015 pelo Conselho de Estabilidade Financeira (FSB) para definir como as empresas devem divulgar riscos e oportunidades financeiras ligados ao clima. Suas recomendações de 2017 viraram referência mundial e foram incorporadas ao IFRS S2.

Quais são os 4 pilares da TCFD?+

Governança, estratégia, gestão de riscos, e métricas e metas. Dentro deles, a TCFD recomenda 11 divulgações específicas.

A TCFD ainda existe?+

A força-tarefa encerrou as atividades em outubro de 2023, depois que o ISSB publicou o IFRS S2, que incorpora as recomendações. O acompanhamento das divulgações climáticas passou para a Fundação IFRS.

Qual a diferença entre TCFD e IFRS S2?+

O IFRS S2 contém toda a estrutura da TCFD e acrescenta exigências, como divulgações por setor e emissões financiadas para instituições financeiras. A TCFD era uma recomendação; o IFRS S2 é um padrão que reguladores podem adotar.

A TCFD é obrigatória no Brasil?+

Não diretamente. A CVM adotou o IFRS S2, que incorpora a TCFD, pela Resolução CVM 193, e a Resolução CVM 244 tornou a adoção voluntária. Instituições financeiras seguem as exigências de relato de riscos climáticos do Banco Central.

Glossário
Risco de transição
Risco financeiro que surge da mudança para uma economia de baixo carbono: regulação, tecnologia, mercado e reputação.
Análise de cenários
Exercício de testar a estratégia da empresa contra diferentes futuros climáticos, como 1,5 °C e mais de 3 °C de aquecimento.
Fontes

Frameworks mencionados neste artigo

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