
Inventário GHG em alimentos e bebidas: como fazer, passo a passo
Passo a passo do Inventário GHG em alimentos e bebidas: Escopo 1, emissões de processo, Escopos 2 e 3 e evidências.

Por onde começar o Inventário GHG em alimentos e bebidas
O Inventário GHG em alimentos e bebidas segue o GHG Protocol e a ISO 14064-1, com uma diferença em relação a outros setores: as emissões de processo e as fontes específicas da atividade pesam mais que a média. Para quem está no SBCE (Etapa 2, plano de monitoramento em até 2029), o inventário precisa ser feito por instalação e por fonte, não só pelo total da empresa.
Os passos gerais estão no guia como fazer o inventário de gases de efeito estufa. Abaixo, o que muda em alimentos e bebidas.
1. Limites
Defina as instalações pelo controle operacional (o que a empresa opera) e liste cada fonte de cada instalação. É a mesma lógica do SBCE, que regula instalações e fontes.
2. Escopo 1: as fontes em alimentos e bebidas
| Fonte | Dado de atividade | Como calcular |
|---|---|---|
| Caldeiras | Óleo, gás, lenha, bagaço (m³, t) | Consumo × fator; biomassa como biogênica, com CH₄ e N₂O |
| Tratamento de efluentes | Carga orgânica (DQO) e tipo de tratamento | Metano de lagoas e reatores anaeróbios |
| Refrigeração | Recarga de gás refrigerante por tipo (kg) | Recarga × GWP do gás |
| Frota própria | Diesel e GNV (litros, m³) | Consumo × fator |
3. Emissões de processo
Na agroindústria, efluentes e refrigeração surpreendem. Uma lagoa anaeróbia aberta emite metano em volume relevante, e vazamento de HFC em câmara fria pesa milhares de vezes o CO₂ por quilo. Biodigestores e troca de refrigerante costumam ser as reduções mais baratas.
4. Escopo 2
Frio industrial e motores elétricos fazem do Escopo 2 uma parte relevante. O guia de fatores de emissão no Brasil mostra onde buscar o fator do SIN.
5. Escopo 3: categorias que mais pesam
- Categoria 1: matéria-prima agropecuária, em geral a maior emissão.
- Categoria 4 e 9: transporte refrigerado.
- Categoria 12: embalagens no fim de vida.
O guia das 15 categorias do Escopo 3 detalha cada uma. O Escopo 3 não é exigido no SBCE, mas clientes e bancos pedem.
6. Dados e evidências
- Registros de recarga de refrigerante por equipamento.
- Medições de DQO e vazão de efluente.
- Notas de combustíveis.
Cada número precisa de trilha até o documento de origem, porque o relato do SBCE passa por verificação independente.
Erros comuns
- Esquecer o metano dos efluentes.
- Não controlar recarga de refrigerante.
- Somar CO₂ do bagaço ao total fóssil.
Do inventário ao SBCE
O inventário por fonte é a base do plano de monitoramento. O post MRV em alimentos e bebidas mostra como transformar o inventário em medição, relato e verificação, e o SBCE em alimentos e bebidas resume prazos e CNAEs.
- Caldeiras é a fonte central
- Análise própria vale mais que fator padrão
- Escopo 3 não é exigido no SBCE, mas clientes pedem
- Inventário por fonte vira plano de monitoramento
Perguntas frequentes
Como fazer o inventário de gases de efeito estufa em alimentos e bebidas?+
Defina as instalações pelo controle operacional, liste cada fonte, calcule o Escopo 1 com dado de atividade e fator de emissão (ou balanço de carbono), trate à parte as emissões de processo, some o Escopo 2 pela energia comprada e mapeie as categorias relevantes do Escopo 3, com evidência para cada número.
Quais são as principais fontes de emissão em alimentos e bebidas?+
Caldeiras; Tratamento de efluentes; Refrigeração; Frota própria.
O inventário em alimentos e bebidas serve para o SBCE?+
Serve como base. O SBCE pede plano de monitoramento, medição e relato verificado por instalação e por fonte. Quem tem o Inventário GHG feito assim só adapta ao formato do órgão gestor. Em alimentos e bebidas, o plano de monitoramento vence em até 2029.
Quais erros são comuns no inventário em alimentos e bebidas?+
Esquecer o metano dos efluentes; Não controlar recarga de refrigerante; Somar CO₂ do bagaço ao total fóssil.
- Controle operacional
- Abordagem que inclui no inventário as instalações que a empresa opera.
- Emissão de processo
- Emissão de uma reação química ou física do processo, e não da queima de combustível.
- Portaria SEMC/MF nº 3.199, de 28 de outubro de 2026 · Etapas de implementação do MRV do SBCE · Ministério da Fazenda · Secretaria Extraordinária do Mercado de Carbono
- Lei 15.042, de 11 de dezembro de 2024 · Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões · Presidência da República
- GHG Protocol Corporate Accounting and Reporting Standard · GHG Protocol
- 2006 IPCC Guidelines for National Greenhouse Gas Inventories · IPCC · Task Force on National Greenhouse Gas Inventories
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