
Inventário GHG nos transportes: como fazer, passo a passo
Passo a passo do Inventário GHG nos transportes: fontes e cálculo do Escopo 1, emissões de processo, Escopos 2 e 3 e as evidências que a verificação pede.

Por onde começar o Inventário GHG nos transportes
O Inventário GHG nos transportes segue o GHG Protocol e a ISO 14064-1, com uma diferença em relação a outros setores: as emissões de processo e as fontes específicas da atividade pesam mais que a média. Para quem está no SBCE (Etapa 3, plano de monitoramento em até 2031), o inventário precisa ser feito por instalação e por fonte, não só pelo total da empresa.
Os passos gerais estão no guia como fazer o inventário de gases de efeito estufa. Abaixo, o que muda nos transportes.
1. Limites
Defina as instalações pelo controle operacional (o que a empresa opera) e liste cada fonte de cada instalação. É a mesma lógica do SBCE, que regula instalações e fontes.
2. Escopo 1: as fontes nos transportes
| Fonte | Dado de atividade | Como calcular |
|---|---|---|
| Frota rodoviária | Diesel, biodiesel, GNV por veículo (litros, m³) | Consumo × fator, com o teor de biodiesel do período |
| Locomotivas | Diesel por locomotiva (litros) | Consumo × fator |
| Embarcações | Óleo combustível marítimo e diesel (t) | Consumo × fator por tipo de combustível |
| Refrigeração de veículos | Recarga de gás refrigerante (kg) | Recarga × GWP |
3. Emissões de processo
No transporte, a regulação alcança o conjunto de fontes móveis do operador. O dado bom é o consumo por veículo, com abastecimento registrado e telemetria. Método por distância percorrida serve como apoio, não como base.
4. Escopo 2
Escopo 2 é pequeno, exceto em ferrovias eletrificadas e veículos elétricos. O guia de fatores de emissão no Brasil mostra onde buscar o fator do SIN.
5. Escopo 3: categorias que mais pesam
- Categoria 3: produção dos combustíveis.
- Categoria 4: agregados e terceiros.
- Categoria 1: veículos e peças.
O guia das 15 categorias do Escopo 3 detalha cada uma. O Escopo 3 não é exigido no SBCE, mas clientes e bancos pedem.
6. Dados e evidências
- Registros de abastecimento por veículo.
- Notas fiscais de combustível.
- Telemetria e odômetro.
Cada número precisa de trilha até o documento de origem, porque o relato do SBCE passa por verificação independente.
Erros comuns
- Calcular por quilômetro quando há dado de litros.
- Misturar frota própria e agregada.
- Esquecer gás refrigerante de baús frigoríficos.
Do inventário ao SBCE
O inventário por fonte é a base do plano de monitoramento. O post MRV nos transportes mostra como transformar o inventário em medição, relato e verificação, e o SBCE nos transportes resume prazos e CNAEs.
- Frota rodoviária é a fonte central
- Análise própria vale mais que fator padrão
- Escopo 3 não é exigido no SBCE, mas clientes pedem
- Inventário por fonte vira plano de monitoramento
Perguntas frequentes
Como fazer o inventário de gases de efeito estufa nos transportes?+
Defina as instalações pelo controle operacional, liste cada fonte, calcule o Escopo 1 com dado de atividade e fator de emissão (ou balanço de carbono), trate à parte as emissões de processo, some o Escopo 2 pela energia comprada e mapeie as categorias relevantes do Escopo 3, com evidência para cada número.
Quais são as principais fontes de emissão nos transportes?+
Frota rodoviária; Locomotivas; Embarcações; Refrigeração de veículos.
O inventário nos transportes serve para o SBCE?+
Serve como base. O SBCE pede plano de monitoramento, medição e relato verificado por instalação e por fonte. Quem tem o Inventário GHG feito assim só adapta ao formato do órgão gestor. Nos transportes, o plano de monitoramento vence em até 2031.
Quais erros são comuns no inventário nos transportes?+
Calcular por quilômetro quando há dado de litros; Misturar frota própria e agregada; Esquecer gás refrigerante de baús frigoríficos.
- Controle operacional
- Abordagem que inclui no inventário as instalações que a empresa opera.
- Emissão de processo
- Emissão de uma reação química ou física do processo, e não da queima de combustível.
- Portaria SEMC/MF nº 3.199, de 28 de outubro de 2026 · Etapas de implementação do MRV do SBCE · Ministério da Fazenda · Secretaria Extraordinária do Mercado de Carbono
- Lei 15.042, de 11 de dezembro de 2024 · Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões · Presidência da República
- GHG Protocol Corporate Accounting and Reporting Standard · GHG Protocol
- 2006 IPCC Guidelines for National Greenhouse Gas Inventories · IPCC · Task Force on National Greenhouse Gas Inventories
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