
Inventário GHG no cimento: como fazer, passo a passo
Passo a passo do Inventário GHG no cimento: fontes e cálculo do Escopo 1, emissões de processo, Escopos 2 e 3 e as evidências que a verificação pede.

Por onde começar o Inventário GHG no cimento
O Inventário GHG no cimento segue o GHG Protocol e a ISO 14064-1, com uma diferença em relação a outros setores: as emissões de processo e as fontes específicas da atividade pesam mais que a média. Para quem está no SBCE (Etapa 1, plano de monitoramento em 2027), o inventário precisa ser feito por instalação e por fonte, não só pelo total da empresa.
Os passos gerais estão no guia como fazer o inventário de gases de efeito estufa. Abaixo, o que muda no cimento.
1. Limites
Defina as instalações pelo controle operacional (o que a empresa opera) e liste cada fonte de cada instalação. É a mesma lógica do SBCE, que regula instalações e fontes.
2. Escopo 1: as fontes no cimento
| Fonte | Dado de atividade | Como calcular |
|---|---|---|
| Forno de clínquer: calcinação | Produção de clínquer (t) e teor de CaO e MgO | Clínquer × fator de emissão de processo (derivado do teor de óxidos) |
| Forno de clínquer: combustíveis | Coque de petróleo, carvão, óleo, resíduos coprocessados (t e poder calorífico) | Combustível × poder calorífico × fator de emissão; fração biogênica dos resíduos à parte |
| Pó de forno (CKD) e bypass | Massa de pó descartado e grau de calcinação | Acréscimo à emissão de processo, proporcional à calcinação do pó |
| Secadores, moinhos e frota interna | Diesel, gás natural (litros, m³) | Consumo × fator de emissão |
3. Emissões de processo
Mais da metade das emissões de uma cimenteira vem da calcinação do calcário (CaCO₃ → CaO + CO₂), não do combustível. O cálculo parte da produção de clínquer e do teor de óxido de cálcio e magnésio medido em laboratório; usar fator padrão quando há análise própria tende a superestimar ou subestimar o número.
4. Escopo 2
A energia elétrica de moagem pesa menos que o forno, mas entra no Escopo 2, pelo fator do SIN. O guia de fatores de emissão no Brasil mostra onde buscar o fator do SIN.
5. Escopo 3: categorias que mais pesam
- Categoria 1: aditivos e escória comprados.
- Categoria 3: produção e transporte dos combustíveis.
- Categoria 4 e 9: transporte de matérias-primas e de cimento.
- Categoria 11: uso do produto, pouco relevante no cimento.
O guia das 15 categorias do Escopo 3 detalha cada uma. O Escopo 3 não é exigido no SBCE, mas clientes e bancos pedem.
6. Dados e evidências
- Balanço de massa do forno.
- Laudos de composição do clínquer e do cru.
- Notas e certificados dos combustíveis com poder calorífico.
- Registros de coprocessamento por lote.
Cada número precisa de trilha até o documento de origem, porque o relato do SBCE passa por verificação independente.
Erros comuns
- Usar fator padrão de clínquer quando há laudo próprio.
- Esquecer o pó de forno.
- Contar como biogênico resíduo de origem fóssil.
Do inventário ao SBCE
O inventário por fonte é a base do plano de monitoramento. O post MRV no cimento mostra como transformar o inventário em medição, relato e verificação, e o SBCE no cimento resume prazos e CNAEs.
- Forno de clínquer: calcinação é a fonte central
- Análise própria vale mais que fator padrão
- Escopo 3 não é exigido no SBCE, mas clientes pedem
- Inventário por fonte vira plano de monitoramento
Perguntas frequentes
Como fazer o inventário de gases de efeito estufa no cimento?+
Defina as instalações pelo controle operacional, liste cada fonte, calcule o Escopo 1 com dado de atividade e fator de emissão (ou balanço de carbono), trate à parte as emissões de processo, some o Escopo 2 pela energia comprada e mapeie as categorias relevantes do Escopo 3, com evidência para cada número.
Quais são as principais fontes de emissão no cimento?+
Forno de clínquer: calcinação; Forno de clínquer: combustíveis; Pó de forno (CKD) e bypass; Secadores, moinhos e frota interna.
O inventário no cimento serve para o SBCE?+
Serve como base. O SBCE pede plano de monitoramento, medição e relato verificado por instalação e por fonte. Quem tem o Inventário GHG feito assim só adapta ao formato do órgão gestor. No cimento, o plano de monitoramento vence em 2027.
Quais erros são comuns no inventário no cimento?+
Usar fator padrão de clínquer quando há laudo próprio; Esquecer o pó de forno; Contar como biogênico resíduo de origem fóssil.
- Controle operacional
- Abordagem que inclui no inventário as instalações que a empresa opera.
- Emissão de processo
- Emissão de uma reação química ou física do processo, e não da queima de combustível.
- Portaria SEMC/MF nº 3.199, de 28 de outubro de 2026 · Etapas de implementação do MRV do SBCE · Ministério da Fazenda · Secretaria Extraordinária do Mercado de Carbono
- Lei 15.042, de 11 de dezembro de 2024 · Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões · Presidência da República
- GHG Protocol Corporate Accounting and Reporting Standard · GHG Protocol
- 2006 IPCC Guidelines for National Greenhouse Gas Inventories · IPCC · Task Force on National Greenhouse Gas Inventories
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