Pular para o conteúdo
Imagem ilustrativa: siderurgia
Voltar ao blog
Inventário 7 min de leitura30 de outubro de 2026

Inventário GHG na siderurgia: como fazer, passo a passo

Passo a passo do Inventário GHG na siderurgia: fontes e cálculo do Escopo 1, emissões de processo, Escopos 2 e 3 e as evidências que a verificação pede.

Emilia Minieri
Head de Operações e Metodologia · Mangue
Compartilhar

Por onde começar o Inventário GHG na siderurgia

O Inventário GHG na siderurgia segue o GHG Protocol e a ISO 14064-1, com uma diferença em relação a outros setores: as emissões de processo e as fontes específicas da atividade pesam mais que a média. Para quem está no SBCE (Etapa 1 (integradas) e Etapa 2 (semi-integradas), plano de monitoramento em 2027 e até 2029), o inventário precisa ser feito por instalação e por fonte, não só pelo total da empresa.

Os passos gerais estão no guia como fazer o inventário de gases de efeito estufa. Abaixo, o que muda na siderurgia.

1. Limites

Defina as instalações pelo controle operacional (o que a empresa opera) e liste cada fonte de cada instalação. É a mesma lógica do SBCE, que regula instalações e fontes.

2. Escopo 1: as fontes na siderurgia

FonteDado de atividadeComo calcular
Alto-fornoCoque, carvão injetado (PCI), carvão vegetal, calcário (t)Balanço de carbono: carbono que entra menos o que sai no gusa, escória e gás
Coqueria integradaCarvão enfornado e coque produzido (t)Balanço de carbono da coqueria
Sinterização e pelotizaçãoCombustível sólido e fundentes (t)Combustível e carbonatos × fatores
Aciaria (oxigênio ou elétrica)Ferro-gusa, sucata, eletrodos de grafite, cal (t)Balanço de carbono e consumo de eletrodos
Reaquecimento e laminaçãoGás natural e gases de processo (m³ e poder calorífico)Consumo × fator de emissão

3. Emissões de processo

Na siderurgia integrada, o método mais usado é o balanço de carbono: todo o carbono que entra em coque, carvão e fundentes, menos o carbono que sai no aço, na escória e nos gases transferidos. Gases de alto-forno e de coqueria reaproveitados em outras unidades precisam ser rastreados para não haver dupla contagem.

4. Escopo 2

Em aciarias elétricas, a eletricidade é a maior parte da pegada e entra no Escopo 2. O guia de fatores de emissão no Brasil mostra onde buscar o fator do SIN.

5. Escopo 3: categorias que mais pesam

  • Categoria 1: minério, pelotas, ferroligas e sucata compradas.
  • Categoria 3: produção do coque e do carvão comprados.
  • Categoria 4: transporte de minério e carvão.
  • Categoria 10: processamento do aço pelo cliente.

O guia das 15 categorias do Escopo 3 detalha cada uma. O Escopo 3 não é exigido no SBCE, mas clientes e bancos pedem.

6. Dados e evidências

  • Balanço de massa e de carbono mensal.
  • Análises de teor de carbono de coque, carvão, gusa e aço.
  • Registros de transferência de gases entre unidades.
  • Documentação de origem do carvão vegetal.

Cada número precisa de trilha até o documento de origem, porque o relato do SBCE passa por verificação independente.

Erros comuns

  • Contar duas vezes o gás de processo usado em outra unidade.
  • Tratar carvão vegetal sem origem comprovada como biogênico.
  • Ignorar eletrodos de grafite.

Do inventário ao SBCE

O inventário por fonte é a base do plano de monitoramento. O post MRV na siderurgia mostra como transformar o inventário em medição, relato e verificação, e o SBCE na siderurgia resume prazos e CNAEs.

Para levar
  • Alto-forno é a fonte central
  • Análise própria vale mais que fator padrão
  • Escopo 3 não é exigido no SBCE, mas clientes pedem
  • Inventário por fonte vira plano de monitoramento

Perguntas frequentes

Como fazer o inventário de gases de efeito estufa na siderurgia?+

Defina as instalações pelo controle operacional, liste cada fonte, calcule o Escopo 1 com dado de atividade e fator de emissão (ou balanço de carbono), trate à parte as emissões de processo, some o Escopo 2 pela energia comprada e mapeie as categorias relevantes do Escopo 3, com evidência para cada número.

Quais são as principais fontes de emissão na siderurgia?+

Alto-forno; Coqueria integrada; Sinterização e pelotização; Aciaria (oxigênio ou elétrica); Reaquecimento e laminação.

O inventário na siderurgia serve para o SBCE?+

Serve como base. O SBCE pede plano de monitoramento, medição e relato verificado por instalação e por fonte. Quem tem o Inventário GHG feito assim só adapta ao formato do órgão gestor. Na siderurgia, o plano de monitoramento vence em 2027 e até 2029.

Quais erros são comuns no inventário na siderurgia?+

Contar duas vezes o gás de processo usado em outra unidade; Tratar carvão vegetal sem origem comprovada como biogênico; Ignorar eletrodos de grafite.

Glossário
Controle operacional
Abordagem que inclui no inventário as instalações que a empresa opera.
Emissão de processo
Emissão de uma reação química ou física do processo, e não da queima de combustível.
Fontes

Frameworks mencionados neste artigo

Serviços relacionados

Receba análises ESG por email

Atualizações regulatórias, guias práticos e dados de mercado. Sem spam.

Compartilhar

Roteiro IFRS S1 & S2

As 12 decisões que seu CFO precisa tomar antes de 2027. Gratuito.

Quer aplicar isso na sua empresa?