
Inventário GHG na siderurgia: como fazer, passo a passo
Passo a passo do Inventário GHG na siderurgia: fontes e cálculo do Escopo 1, emissões de processo, Escopos 2 e 3 e as evidências que a verificação pede.

Por onde começar o Inventário GHG na siderurgia
O Inventário GHG na siderurgia segue o GHG Protocol e a ISO 14064-1, com uma diferença em relação a outros setores: as emissões de processo e as fontes específicas da atividade pesam mais que a média. Para quem está no SBCE (Etapa 1 (integradas) e Etapa 2 (semi-integradas), plano de monitoramento em 2027 e até 2029), o inventário precisa ser feito por instalação e por fonte, não só pelo total da empresa.
Os passos gerais estão no guia como fazer o inventário de gases de efeito estufa. Abaixo, o que muda na siderurgia.
1. Limites
Defina as instalações pelo controle operacional (o que a empresa opera) e liste cada fonte de cada instalação. É a mesma lógica do SBCE, que regula instalações e fontes.
2. Escopo 1: as fontes na siderurgia
| Fonte | Dado de atividade | Como calcular |
|---|---|---|
| Alto-forno | Coque, carvão injetado (PCI), carvão vegetal, calcário (t) | Balanço de carbono: carbono que entra menos o que sai no gusa, escória e gás |
| Coqueria integrada | Carvão enfornado e coque produzido (t) | Balanço de carbono da coqueria |
| Sinterização e pelotização | Combustível sólido e fundentes (t) | Combustível e carbonatos × fatores |
| Aciaria (oxigênio ou elétrica) | Ferro-gusa, sucata, eletrodos de grafite, cal (t) | Balanço de carbono e consumo de eletrodos |
| Reaquecimento e laminação | Gás natural e gases de processo (m³ e poder calorífico) | Consumo × fator de emissão |
3. Emissões de processo
Na siderurgia integrada, o método mais usado é o balanço de carbono: todo o carbono que entra em coque, carvão e fundentes, menos o carbono que sai no aço, na escória e nos gases transferidos. Gases de alto-forno e de coqueria reaproveitados em outras unidades precisam ser rastreados para não haver dupla contagem.
4. Escopo 2
Em aciarias elétricas, a eletricidade é a maior parte da pegada e entra no Escopo 2. O guia de fatores de emissão no Brasil mostra onde buscar o fator do SIN.
5. Escopo 3: categorias que mais pesam
- Categoria 1: minério, pelotas, ferroligas e sucata compradas.
- Categoria 3: produção do coque e do carvão comprados.
- Categoria 4: transporte de minério e carvão.
- Categoria 10: processamento do aço pelo cliente.
O guia das 15 categorias do Escopo 3 detalha cada uma. O Escopo 3 não é exigido no SBCE, mas clientes e bancos pedem.
6. Dados e evidências
- Balanço de massa e de carbono mensal.
- Análises de teor de carbono de coque, carvão, gusa e aço.
- Registros de transferência de gases entre unidades.
- Documentação de origem do carvão vegetal.
Cada número precisa de trilha até o documento de origem, porque o relato do SBCE passa por verificação independente.
Erros comuns
- Contar duas vezes o gás de processo usado em outra unidade.
- Tratar carvão vegetal sem origem comprovada como biogênico.
- Ignorar eletrodos de grafite.
Do inventário ao SBCE
O inventário por fonte é a base do plano de monitoramento. O post MRV na siderurgia mostra como transformar o inventário em medição, relato e verificação, e o SBCE na siderurgia resume prazos e CNAEs.
- Alto-forno é a fonte central
- Análise própria vale mais que fator padrão
- Escopo 3 não é exigido no SBCE, mas clientes pedem
- Inventário por fonte vira plano de monitoramento
Perguntas frequentes
Como fazer o inventário de gases de efeito estufa na siderurgia?+
Defina as instalações pelo controle operacional, liste cada fonte, calcule o Escopo 1 com dado de atividade e fator de emissão (ou balanço de carbono), trate à parte as emissões de processo, some o Escopo 2 pela energia comprada e mapeie as categorias relevantes do Escopo 3, com evidência para cada número.
Quais são as principais fontes de emissão na siderurgia?+
Alto-forno; Coqueria integrada; Sinterização e pelotização; Aciaria (oxigênio ou elétrica); Reaquecimento e laminação.
O inventário na siderurgia serve para o SBCE?+
Serve como base. O SBCE pede plano de monitoramento, medição e relato verificado por instalação e por fonte. Quem tem o Inventário GHG feito assim só adapta ao formato do órgão gestor. Na siderurgia, o plano de monitoramento vence em 2027 e até 2029.
Quais erros são comuns no inventário na siderurgia?+
Contar duas vezes o gás de processo usado em outra unidade; Tratar carvão vegetal sem origem comprovada como biogênico; Ignorar eletrodos de grafite.
- Controle operacional
- Abordagem que inclui no inventário as instalações que a empresa opera.
- Emissão de processo
- Emissão de uma reação química ou física do processo, e não da queima de combustível.
- Portaria SEMC/MF nº 3.199, de 28 de outubro de 2026 · Etapas de implementação do MRV do SBCE · Ministério da Fazenda · Secretaria Extraordinária do Mercado de Carbono
- Lei 15.042, de 11 de dezembro de 2024 · Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões · Presidência da República
- GHG Protocol Corporate Accounting and Reporting Standard · GHG Protocol
- 2006 IPCC Guidelines for National Greenhouse Gas Inventories · IPCC · Task Force on National Greenhouse Gas Inventories
Frameworks mencionados neste artigo
Serviços relacionados
Receba análises ESG por email
Atualizações regulatórias, guias práticos e dados de mercado. Sem spam.
Roteiro IFRS S1 & S2
As 12 decisões que seu CFO precisa tomar antes de 2027. Gratuito.
Recebemos seu interesse! Em breve a Camila vai te enviar o Roteiro IFRS S1 & S2 por e-mail.


