
Inventário GHG na indústria química: como fazer, passo a passo
Passo a passo do Inventário GHG na indústria química: fontes e cálculo do Escopo 1, emissões de processo, Escopos 2 e 3 e as evidências que a verificação pede.

Por onde começar o Inventário GHG na indústria química
O Inventário GHG na indústria química segue o GHG Protocol e a ISO 14064-1, com uma diferença em relação a outros setores: as emissões de processo e as fontes específicas da atividade pesam mais que a média. Para quem está no SBCE (Etapa 1 (parte) e Etapa 2 (demais), plano de monitoramento em 2027 e até 2029), o inventário precisa ser feito por instalação e por fonte, não só pelo total da empresa.
Os passos gerais estão no guia como fazer o inventário de gases de efeito estufa. Abaixo, o que muda na indústria química.
1. Limites
Defina as instalações pelo controle operacional (o que a empresa opera) e liste cada fonte de cada instalação. É a mesma lógica do SBCE, que regula instalações e fontes.
2. Escopo 1: as fontes na indústria química
| Fonte | Dado de atividade | Como calcular |
|---|---|---|
| Ácido nítrico | Produção de ácido (t) e concentração de N₂O no gás | Medição contínua de N₂O ou fator × produção, descontando abatimento |
| Ácido adípico | Produção (t) e eficiência do abatimento | Fator × produção × (1 − destruição) |
| Amônia | Gás natural de matéria-prima e combustível (m³) | Balanço de carbono, descontando CO₂ capturado para ureia |
| Craqueamento (eteno) | Combustível dos fornos e carga | Consumo × composição; balanço de carbono |
| Negro de fumo, cloreto de vinila e outros | Carga e produtos | Balanço de carbono do processo |
3. Emissões de processo
Na química, as emissões de processo dominam. O N₂O dos ácidos nítrico e adípico tem GWP perto de 300 vezes o do CO₂, e catalisadores de abatimento cortam a maior parte. A eficiência do abatimento precisa estar medida e documentada, não assumida.
4. Escopo 2
Vapor e eletricidade comprados de centrais de utilidades entram no Escopo 2. O guia de fatores de emissão no Brasil mostra onde buscar o fator do SIN.
5. Escopo 3: categorias que mais pesam
- Categoria 1: matérias-primas petroquímicas.
- Categoria 10 e 12: processamento e fim de vida dos produtos.
- Categoria 4: transporte de insumos.
O guia das 15 categorias do Escopo 3 detalha cada uma. O Escopo 3 não é exigido no SBCE, mas clientes e bancos pedem.
6. Dados e evidências
- Analisadores de N₂O e registros de disponibilidade.
- Balanço de massa por unidade.
- Destino do CO₂ capturado (ureia, venda).
Cada número precisa de trilha até o documento de origem, porque o relato do SBCE passa por verificação independente.
Erros comuns
- Assumir eficiência de catalisador sem medir.
- Descontar CO₂ capturado sem comprovar o destino.
- Misturar emissão de combustão e de processo.
Do inventário ao SBCE
O inventário por fonte é a base do plano de monitoramento. O post MRV na indústria química mostra como transformar o inventário em medição, relato e verificação, e o SBCE na indústria química resume prazos e CNAEs.
- Ácido nítrico é a fonte central
- Análise própria vale mais que fator padrão
- Escopo 3 não é exigido no SBCE, mas clientes pedem
- Inventário por fonte vira plano de monitoramento
Perguntas frequentes
Como fazer o inventário de gases de efeito estufa na indústria química?+
Defina as instalações pelo controle operacional, liste cada fonte, calcule o Escopo 1 com dado de atividade e fator de emissão (ou balanço de carbono), trate à parte as emissões de processo, some o Escopo 2 pela energia comprada e mapeie as categorias relevantes do Escopo 3, com evidência para cada número.
Quais são as principais fontes de emissão na indústria química?+
Ácido nítrico; Ácido adípico; Amônia; Craqueamento (eteno); Negro de fumo, cloreto de vinila e outros.
O inventário na indústria química serve para o SBCE?+
Serve como base. O SBCE pede plano de monitoramento, medição e relato verificado por instalação e por fonte. Quem tem o Inventário GHG feito assim só adapta ao formato do órgão gestor. Na indústria química, o plano de monitoramento vence em 2027 e até 2029.
Quais erros são comuns no inventário na indústria química?+
Assumir eficiência de catalisador sem medir; Descontar CO₂ capturado sem comprovar o destino; Misturar emissão de combustão e de processo.
- Controle operacional
- Abordagem que inclui no inventário as instalações que a empresa opera.
- Emissão de processo
- Emissão de uma reação química ou física do processo, e não da queima de combustível.
- Portaria SEMC/MF nº 3.199, de 28 de outubro de 2026 · Etapas de implementação do MRV do SBCE · Ministério da Fazenda · Secretaria Extraordinária do Mercado de Carbono
- Lei 15.042, de 11 de dezembro de 2024 · Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões · Presidência da República
- GHG Protocol Corporate Accounting and Reporting Standard · GHG Protocol
- 2006 IPCC Guidelines for National Greenhouse Gas Inventories · IPCC · Task Force on National Greenhouse Gas Inventories
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