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Regulação 7 min de leitura28 de outubro de 2026

IFRS S1 e S2: o que são, a diferença e como ficam no Brasil

O que são o IFRS S1 e o IFRS S2, a diferença entre as duas normas do ISSB, o que o S2 exige sobre clima, os alívios de transição e o cenário no Brasil.

Emilia Minieri
Emilia Minieri
Head de Operações e Metodologia · Mangue
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O que são o IFRS S1 e o IFRS S2

O IFRS S1 e o IFRS S2 são os dois primeiros padrões globais de divulgação de sustentabilidade publicados pelo ISSB (International Sustainability Standards Board), conselho da Fundação IFRS, a mesma que define as normas contábeis usadas em mais de 140 países. Foram publicados em junho de 2023.

  • IFRS S1 traz os requisitos gerais para divulgar qualquer risco ou oportunidade de sustentabilidade que possa afetar o caixa, o acesso a financiamento ou o custo de capital da empresa.
  • IFRS S2 é o padrão específico de clima: riscos físicos e de transição, análise de cenários e emissões de gases de efeito estufa dos Escopos 1, 2 e 3.

Os dois são feitos para o investidor. A pergunta que respondem não é "quanto a empresa impacta o planeta", e sim "como os temas de sustentabilidade afetam o valor da empresa".

Qual a diferença entre IFRS S1 e IFRS S2

IFRS S1IFRS S2
EscopoTodos os riscos e oportunidades de sustentabilidade relevantesSó riscos e oportunidades climáticos
PapelNorma "guarda-chuva": estrutura, materialidade, onde e quando divulgarNorma temática: o que divulgar sobre clima
EstruturaGovernança, estratégia, gestão de riscos, métricas e metasA mesma estrutura, aplicada ao clima
MétricasRemete às métricas setoriais do SASB quando não há norma específicaEmissões dos Escopos 1, 2 e 3, métricas setoriais e metas climáticas
OrigemConsolida o trabalho de SASB e CDSBIncorpora integralmente as recomendações da TCFD

Na prática, as duas andam juntas: o S1 define como relatar, e o S2 é a primeira aplicação temática dele. Quem adota o S2 adota o S1 junto.

O que o IFRS S2 exige sobre clima

  • Governança: quem no conselho e na diretoria supervisiona o tema climático.
  • Estratégia: riscos e oportunidades climáticos no curto, médio e longo prazo, efeitos financeiros e análise de cenários.
  • Gestão de riscos: como os riscos climáticos são identificados, avaliados e integrados à gestão de riscos da empresa.
  • Métricas e metas:
  • emissões dos Escopos 1, 2 e 3, medidas pelo GHG Protocol;
  • métricas do setor;
  • metas climáticas e o progresso em relação a elas.

O ponto de partida de tudo é o Inventário GHG com trilha auditável. Sem ele, a parte de métricas não se sustenta numa asseguração.

Alívios de transição

Para o primeiro ano de aplicação, as normas preveem alívios. Entre eles:

  • relatar só clima no primeiro ano, adiando os demais temas de sustentabilidade;
  • não divulgar o Escopo 3 no primeiro ano;
  • não apresentar informação comparativa do ano anterior;
  • usar a metodologia de medição de emissões que a empresa já aplicava, se diferente do GHG Protocol, por um período.

Alívio não é dispensa. O mercado lê o primeiro relatório como sinal de maturidade, e quem já tem o Escopo 3 estruturado sai na frente.

IFRS S1 e S2 no Brasil

A Resolução CVM 193, de 2023, incorporou o IFRS S1 e o IFRS S2 à regulação brasileira para companhias abertas. Em 2026, a Resolução CVM 244 revogou a obrigatoriedade, e a adoção passou a ser voluntária.

Voluntário não quer dizer irrelevante. Investidores estrangeiros, bancos e clientes continuam pedindo o reporte no padrão ISSB, e reguladores de outros países seguem adotando as normas. Para a empresa, o custo de começar mais tarde é montar a base de dado com pressa.

Como se preparar

  1. Faça o Inventário GHG dos Escopos 1, 2 e 3, com trilha até o documento de origem.
  2. Mapeie os riscos e as oportunidades climáticos, com análise de risco climático e cenários.
  3. Defina a governança: quem supervisiona, com que frequência e com que informação.
  4. Faça a materialidade financeira para os demais temas do S1.
  5. Estruture o relato e prepare para a asseguração independente.

A página do IFRS S2 resume o padrão, e o guia IFRS S2: o que muda para empresas brasileiras detalha o que precisa estar no relatório.

Para levar
  • Quem adota o IFRS S2 adota o IFRS S1 junto
  • O Inventário GHG com trilha é a base da parte de métricas
  • Alívios de transição adiam, não dispensam
  • Voluntário no Brasil não quer dizer irrelevante para investidor e banco

Perguntas frequentes

O que é IFRS S1 e S2?+

São os dois primeiros padrões globais de divulgação de sustentabilidade do ISSB, conselho da Fundação IFRS, publicados em junho de 2023. O IFRS S1 traz os requisitos gerais para divulgar riscos e oportunidades de sustentabilidade; o IFRS S2 trata especificamente do clima.

Qual a diferença entre IFRS S1 e IFRS S2?+

O IFRS S1 é a norma geral: define estrutura, materialidade e como divulgar qualquer tema de sustentabilidade que afete o valor da empresa. O IFRS S2 aplica essa estrutura ao clima, com riscos físicos e de transição, análise de cenários e emissões dos Escopos 1, 2 e 3.

O IFRS S1 e S2 são obrigatórios no Brasil?+

Não. A Resolução CVM 193 incorporou as normas para companhias abertas, mas a Resolução CVM 244, de 2026, revogou a obrigatoriedade. Hoje a adoção é voluntária, e investidores, bancos e clientes continuam pedindo o reporte no padrão.

O IFRS S2 substitui a TCFD?+

Sim, na prática. O IFRS S2 incorporou integralmente as recomendações da TCFD, que encerrou as atividades em 2023 e passou o acompanhamento das divulgações climáticas para a Fundação IFRS.

Preciso relatar o Escopo 3 no IFRS S2?+

Sim. O IFRS S2 exige as emissões dos Escopos 1, 2 e 3. No primeiro ano de aplicação, um alívio de transição permite não divulgar o Escopo 3, mas ele passa a ser exigido nos anos seguintes.

Glossário
ISSB
International Sustainability Standards Board, conselho da Fundação IFRS que publica os padrões globais de divulgação de sustentabilidade.
Asseguração
Verificação independente das informações divulgadas, em nível limitado ou razoável.
Fontes

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